sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Remitência

Hoje a poesia me sorriu pela janela
Tímida e faceira
Me acenou de longe
Benfazeja e discreta
A luzir minhas rimas há tempos empoeiradas
Guardadas feito entulho
Embora fossem de prata

Hoje a poesia me trouxe
Um pedaço do olhar de volta
Aquele rebuliço
Aquela quentura no peito
Que transforma massa disforme
Em torta bonita e cheirosa na janela

Hoje a poesia me lembrou
Que pra fazer parte da turma
Basta lembrarmos que estamos vivos
E sermos entregues como todo bom poeta

Porque eu não escolho a poesia.
É ela que me sorteia.

Hoje a poesia me resgata
Ainda que sutilmente
Cautelosamente
E inevitavelmente
Desses dias sem frescor e glória que tem sido o meu país
Desde o dia em que de mim
Resolvi ir embora.

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